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Prosa Poética, no programa Tarde Ponto Com, por Mary Arantes: 'Arte a céu aberto'

Por Mary Arantes, 02/04/2020 às 15:43
atualizado em: 16/04/2020 às 21:34

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Meu olhar procura arte, de beira de estrada, ateliês ou lojinhas. Pra onde vou, já chego chego perguntado, quem faz arte ou artesanato nesta cidade? 

Certa vez fiz uma viagem à Ilha do Ferro, Maceió, celeiro em arte popular brasileira. Na volta, tivemos que dormir num lugarejo e me vi aflita, pensando como seria tirar todas aquelas esculturas, da pic up, guardar pra que dormíssemos e no outro dia, voltar com tudo pro carro. Perguntei pro guia, como iríamos proteger nosso, digamos, “acervo”. Ele me respondeu, aqueles pedaços de pau? Ninguém aqui vai querer roubar aquilo lá não dona, não tem serventia nenhuma pra eles! Pra que serve a arte? Alguns acham que ela não tem serventia, a verdade é que ela nos salva, salva a barriga dos que tem fome e alimenta a alma de quem a faz. 

Recentemente estive em Curumuxatiba, tive acesso a trabalhos incríveis, como os balaios, confeccionados em cipó, feitos por Juraci e família. Conheci também, por indicação da artista Adriana Leão, o trabalho de Donde. Um senhor de descendência Pataxó, que tem a sensibilidade de olhar pro mato e enxergar os troncos que servirão pros cabideiros que faz. Os galhos que saem do tronco principal, formam um diálogo primoroso com seus parceiros no mesmo cabide, na mesma arte. E o seu Odair, gente, que faz o melhor beiju da cidade?

Mas beiju é arte pessoal? Sim, os deles são verdadeiras obras de arte. Mínimos, dobrados feito um retratinho 3 x 4, com um leve sabor açucarado, nos mantêm fiel ao pacote, até que o último seja comido. E por falar em comida, Dolores, proprietária e chef do restaurante Mama África, nos oferece sabores inusitados. Dolores funde temperos caseiros, com notas da Angola, sua terra natal e pitadas de baianidade. 

Mas se antes os mineiros iam todos pra Guarapari, agora a moda é ir pra Cumurixatiba, chamada de Cumuru, segundo meu filho, a nova Guarapari hypster.

Não deixe de visitar na beira das estradas as barracas dos povos Pataxós, nomeadas carinhosamente por Alexandre Guimarães de Pataxóping, pois a cada cinco minutos voltávamos de lá com compras e mais compras, esculturas de animais, espátulas para fazer tapioca e inúmeros modelos de tábuas de madeira.

Em meio a tudo que estamos vivendo, mais do que nunca precisamos fortalecer o comércio local, comprando do pequeno artesão. Visite-o, compre e divulgue.

Arte em Cumuruxatiba

Artesanato Juraci- dos balaios feitos com raiz- 73-99182-7202
Donde- 73-99100-7130 (falar com a esposa Dita)-OCA Tucum
Odair- Moço dos beijus- 73-9171-5514 (TIM), 73-99152-2509 (TIM), e 73-99977-9100 (VIVO)
Restaurante Mama África- chefe Dolores- 73-3573-1319

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