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Sim. O Cruzeiro pode!

Independentemente de qualquer rebaixamento, dívida e patrimônio, o Cruzeiro possui um potencial de 9 milhões de torcedores (consumidores) apaixonados ávidos pela manutenção do clube

01/06/2020 às 08:16
Sim. O Cruzeiro pode!

A comunidade do futebol recebeu com apreensão e surpresa a informação de que o Cruzeiro começaria a Série B do Campeonato Brasileiro com seis pontos negativos por ter descumprido decisão da Fifa. Trouxe maior perplexidade a iminência da perda de mais seis pontos por outro débito a vencer.

O calvário do clube celeste começou com matéria do ‘Fantástico’, da TV Globo, que indicava possíveis atos fraudulentos, teve como ápice o rebaixamento para segunda divisão do Campeonato Brasileiro e novos capítulos com a grande dificuldade financeira.

A história do Cruzeiro parece estar a caminho de novos rumos com a mudança do corpo diretivo. Isso porque, antes mesmo de assumir oficialmente, Sérgio Santos Rodrigues, recém-eleito presidente do clube, conseguiu, por meio de seu principal patrocinador, pagar a dívida que poderia tirar mais pontos e, ainda, pagar parte dos salários atrasados.

O Cruzeiro, que acumula dívidas em valores próximos a R$ 1 bilhão, é o clube de futebol mais vitorioso de Minas Gerais e possui cerca de 9 milhões de torcedores espalhados pelo país.

Ou seja, independentemente de qualquer rebaixamento, dívida e patrimônio, o Cruzeiro possui um potencial de 9 milhões de torcedores (consumidores) apaixonados ávidos pela manutenção do clube.

Não se pode, definitivamente, comparar o clube mineiro com a Portuguesa de Desportos e nem mesmo com o Rangers, da Escócia. A Lusa, além de não possuir a história gloriosa do Cruzeiro, possui poucos torcedores. Já a equipe escocesa, apesar dos mais de 50 títulos nacionais, não possui 2 milhões de torcedores (a população total do país é de 5,5 milhões de habitantes).

Dessa forma, uma boa gestão, o apoio dos torcedores e uma dose de paciência são capazes de tirar o Cruzeiro de qualquer crise.

Tudo ficou ainda mais claro quando o Supermercados BH, maior supermercadista de Minas Gerais e um dos 10 maiores do Brasil e patrocinador máster do clube resolve apostar na equipe, renovar contrato de patrocínio e viabilizar o pagamento de dívida premente e de parte dos salários atrasados. Isso mesmo com todas as dificuldades do clube e diante de todas as matérias negativas.

Identifica-se aí a grande visibilidade que o clube possui e o valor de sua marca. Por mais que o proprietário do Supermercados BH seja cruzeirense, no mundo dos negócios não há espaço para amadorismo e o investimento foi feito pensando em retorno para a empresa, até porque, como uma sociedade limitada, o estabelecimento comercial possui sócios.

Dessa forma, o momento é de união, pés no chão e austeridade para montar uma equipe digna da história do clube, mas que não agrave a crise. Uma mistura entre atletas da base e referências como o goleiro Fábio pode trazer um bom resultado. Mas, independentemente disso, é muito importante que a torcida entenda que mais importante que subir esse ano, é “arrumar a casa” e voltar à Série A saneado.

O clube pode enfrentar as dívidas trabalhistas com um “ato de concentração de execuções trabalhistas” que têm trazido excelentes resultados a outras demandas clube/atleta, garantindo-se ao credor o seu crédito e ao devedor a restauração de sua saúde financeira.

O ato de execução concentrada tem como fundamento o artigo 889 da CLT que garante a aplicação à execução trabalhista dos preceitos que regem a execução fiscal para cobrança judicial de dívida ativa da Fazenda Pública, com a possibilidade de reunião de processos contra o mesmo devedor.

No que diz respeito aos débitos de natureza civil, o clube mineiro pode utilizar-se do que preceitua o art. 47 da lei 11.101/05 (Lei de Recuperação Judicial e Falências), que tem por objetivo viabilizar meios de superação de crise financeira para permitir a manutenção da atividade e, consequentemente, os trabalhos e produtos dela resultantes.

Como destacou a Desembargadora Ana Paula Pellegrina Lockmann na obra ‘Ato das Execuções Concentradas – Bom para o Atleta, Bom para o Clube e Bom para a Justiça. In: Direito do Trabalho e Desporto – volume III’.

Em conclusão, trata-se de um conjunto de práticas cujo objetivo é regulamentar e viabilizar uma administração profissional e responsável nos clubes de futebol. Somente a partir da implementação de gestões competentes e transparentes se alcançarão desempenhos econômico e desportivo sustentáveis.

Ou seja, sim, o Cruzeiro pode superar as crises financeiras, institucionais e desportivas. Para tanto, basta lançar mão de seu maior patrimônio, 9 milhões de torcedores em uma gestão profissional, técnica e, sobretudo sincera. 

O ano de 2020 não precisa ser o ano do acesso. Se for, perfeito. Mas, precisa, acima de tudo, ser o ano da reestruturação.

O torcedor do Cruzeiro precisa mais do que nunca jogar junto apoiando o clube emocionalmente e financeiramente por meio da compra de produtos licenciados, títulos de sócio torcedor, ingressos e produtos, bens e serviços dos patrocinadores e apoiadores do clube.

Bons ares parecem começar a surgir no Cruzeiro e, para alegria dos torcedores e até mesmo dos rivais, a equipe celeste continuará sendo grande.

Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro

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